Sindicato!

O Sindicato pela lente do Reinaldo Barata....

Reinaldo Barata é delegado sindical do STIAC na empresa MATUTANO e deixa-nos a sua visão sobre o SINDICATO!

Sindicato

O Osso Duro na Garganta do Capital
Não me venham com discursos de papel timbrado. Não me venham falar de burocracia, de carimbos ou de reuniões em salas com ar-condicionado.
O sindicato não nasce na caneta, o sindicato nasce no calo.
Nasce na espinha dorsal que estala às seis da manhã. Nasce no gosto metálico do medo na boca quando o patrão olha torto.
O sindicato é a única coisa que se interpõe entre a tua dignidade e a fome.
Entende uma coisa:
- Para o mercado, para a planilha do gestor, para o acionista que nunca sujou as mãos de verdade, tu não és gente.
Tu és um "recurso".
Tu és um custo.
Tu és uma variável que, se possível, deve ser eliminada para que a curva do lucro suba.
Sozinho, tu és invisível. Sozinho, tu és descartável.
Se tu caíres, a engrenagem nem treme, eles apenas trocam a peça e mandam na próxima.
Mas o sindicato… ah, o sindicato é o pesadelo deles.

O sindicato é a memória de que o teu fim de semana não foi um presente de Natal do patrão.
O sindicato é o túmulo sagrado onde está enterrado o sangue de quem morreu em Chicago para que tu pudesses descansar.
O sindicato é a cicatriz que prova que a jornada de oito horas foi arrancada na força, com dentes e unhas, contra a ganância de quem queria te consumir até o osso.
É visceral. É político porque a vida é política.
Quando tu entras no sindicato, tu não estás a pagar uma mensalidade.
Tu estás a comprar um escudo.
Tu estás a dizer, com a voz rouca de quem gritou a vida toda no barulho da máquina: "Eu existo. Eu importo. E eu não vou me curvar."
Eles vão tentar te convencer de que é "coisa do passado". Vão dizer que é "radicalismo". Vão tentar te isolar, vão tentar te convencer que o sucesso é individual, que a culpa da crise é tua, que tu deves agradecer por ter um teto, mesmo que esse teto esteja desabando sobre a tua cabeça.
Mas quando a demissão chega, quem segura a tua mão?
Quando o acidente acontece e a empresa diz que a culpa foi do operador, quem bate na mesa e exige justiça?
Quando o salário não dá para o pão, quem organiza o grito para que ele seja ouvido como um trovão?
O sindicato é o abraço coletivo na hora do desespero.
É a solidariedade suja da "graxa", é o café passado na portaria da fábrica, é o ombro amigo que tu não sabias que tinhas até ao momento em que o chão sumiu.
Sem o sindicato, somos lobos famintos brigando por um osso, enquanto o dono do matadouro ri lá de cima.
Com o sindicato, somos a matilha.
Somos a avalanche.
Somos a força que move o mundo, mas que finalmente sabe o seu próprio valor.
Não deixes que te tirem isso. O sindicato não é o prédio.
O sindicato não é o diretor.
O sindicato somos nós.
É o sangue que corre nas veias da cidade.
É a certeza de que, enquanto estivermos de pé, ombro a ombro, eles não passarão.
Luta.
Organiza-te.
Resiste.
Porque a dignidade não se pede.
A dignidade conquista-se.
E ela só é nossa quando é de todos.

Obrigado Reinaldo.
Sindicaliza-te no STIAC. Sindicalizado estás mais seguro e informado. Faz a tua inscrição aqui no site ou através do e-mail stiac@mail.telepac.pt


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