O CUSTO DE VIDA AUMENTA....O POVO NÃO AGUENTA!

Para onde caminhamos?

O governo AD mantém a sua trajetória política de garantir ao capital e ao patronato a máxima rentabilidade, explorando os trabalhadores e os cidadãos consumidores, confirmando a denúncia de Adam Smith identificada no princípio “Tudo para nós, nada para os outros”.
O mês de abril terminou com um novo aumento do custo de vida, de 3,3% em relação a abril do ano passado, acelerando face ao registado em março, de acordo com dados do INE.

A principal causa para esta aceleração foi o aumento do preço dos combustíveis, já que o preço dos produtos energéticos subiu 11,7% em termos homólogos face aos 5,7% registados no mês anterior. Também os produtos alimentares não transformados (os frescos) tiveram um aumento de 7,4% em termos homólogos face a 6,4% de março.

Já em relação a março o aumento dos preços foi de 1,3%, tendo os maiores aumentos ocorrido no gasóleo (9,9%), no transporte aéreo internacional de passageiros (9,9%), no gás (6,4%), nos produtos hortícolas (5,7%) e na gasolina (5,5%).
O cabaz alimentar acompanhado pela DECO atingiu 260 euros já neste mês de maio, tendo aumentado perto de 7,7% desde o início do ano.
Os dados do INE mostram que o nível de preços aumentou 20% entre dezembro de 2021 e abril de 2026, mas sobretudo nos produtos alimentares, com 34% de aumento (sendo de 87% nos ovos, mais de 50% no leite, 43% nos produtos hortícolas, 42% na manteiga e outras gorduras derivadas do leite, 41% na carne, 34% no peixe e marisco, 33% no queijo e no pão e 24% na fruta).

Para o mesmo período, as rendas aumentaram 24%, a que há que juntar o aumento de 60% nas prestações por crédito à habitação (decorrentes quer do aumento das taxas de juro, quer da subida de 59% nos preços de compra de casa entre o 4o trimestre 2021 e o 4o trimestre de 2025)
. Por sua vez o gás e a eletricidade tiveram aumentos de 36% e 16%, respectivamente.

Já os combustíveis subiram 27% (36% no caso do gasóleo e 15% no caso da gasolina).
Os produtos alimentares e a habitação representam mais de metade das despesas das famílias de menores rendimentos, num país que enfrenta grandes dificuldades de subsistência, desigualdades e pobreza, ao que vem juntar-se o aumento dos combustíveis, de que dependem muitos portugueses para se deslocarem para o trabalho por insuficiência de transportes públicos de qualidade nos seus trajetos. Mas as dificuldades não se ficam por aqui, porque a degradação dos serviços públicos, concretizando a estratégia do governo, é generalizada e ameaça colapso quer no ensino, onde os portugueses suportam cerca de 30% dos custos face a 13% na União Europeia, quer na saúde, suportada entre 38% a 40% pelos cidadãos nacionais, e com maior incidência sobre os mais pobres. Concretamente, os portugueses gastam, em média, cerca de 1.397 euros por ano em saúde (excluindo seguros) e a despesa das famílias, apenas com a aquisição de medicamentos, ultrapassou os 966 milhões de euros em 2025.
Num país em que um em cada cinco portugueses vive em pobreza ou exclusão social e cerca de 270 mil contribuintes têm dois empregos, e mesmo três. Num país em que metade dos pensionistas recebem abaixo dos 462 euros, vendo-se 10% obrigados a continuar a trabalhar. Assim, neste país de baixos salários e vínculos precários, trabalhadores, sobretudo jovens qualificados, optam por emigrar em busca de uma vida melhor. Em consequência, neste jardim à beira mar plantado o Inverno demográfico é uma evidência que só a imigração consegue disfarçar e mitigar.

Em contraste com as dificuldades dos trabalhadores, não podemos deixar de referir os lucros da banca portuguesa, a mais rentável da zona euro em 2025, bem como os lucros da Galp que, depois de um lucro líquido record de 1,15 mil milhões de euros em 2025 (mais 20% que em 2024), aparece como um dos principais beneficiários do conflito do Médio Oriente, com uma valorização de 16% desde o seu início.
Uma inversão de política é necessária e urgente, com legislação que proteja os trabalhadores no exercício das sua tarefas profissionais e com salários dignos e pensões dignas a quem trabalhou, só possível com políticas fiscais justas sobre o trabalho e sobre o capital.

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